Manuel Arroz

Full Stack Developer
Dinheiro virtual: o que é e como funciona

Dinheiro Virtual: o que é e como funciona.

Para chegarmos até o dinheiro virtual e a criação do Bitcoin, muita coisa aconteceu na nossa sociedade. E como é lógico, para entender melhor sobre esse mercado, é essencial compreender o que é dinheiro virtual, como ele funciona, quais são suas vantagens e outras questões essenciais.

Já no início da nossa historia a “permuta” ditou um começo de todo este ciclo evolutivo, onde uma simples troca de uma mercadoria pela outra, sem equivalência de valor, foi uma prática comummente usada mesmo antes da invenção da primeira moeda. Com o passar do tempo e a evolução da sociedade, esse método de troca passou a se tornar muito complicado de ser mantido.

O primeiro passo para o surgimento das moedas foi com a descoberta do metal – que começou a ser empregado na fabricação de utensílios e armas que antes eram feitos de pedra. Como o metal apresentava muitas vantagens, o seu comércio passou a ser feito de maneira diferenciada, por meio do peso e da avaliação do seu grau de pureza a cada troca. Mais tarde, ele ganhou forma precisa, peso determinado e começou a receber uma marca identificativa de valor – que também apontava o responsável pela sua emissão.

Foi devido a essa valorização, que as primeiras moedas nasceram no século VII a.C. Elas eram pequenas peças de metal com peso e valor definidos e com a impressão de cunho oficial, ou seja, uma marca de quem as emitiu, que garantia seu valor.

Elas começaram a ser cunhadas na Grécia e na Lídia e passaram a reflectir a mentalidade do povo da sua época. No início, elas eram fabricadas apenas em ouro e prata – que eram mais raras, bonitas e tinham um valor económico maior, além de estarem ligados à antigos costumes religiosos. Depois de um tempo, também passaram a existir as moedas de cobre.

Esse sistema com moedas de metais preciosos durou até o final do século 19, quando por exemplo a liga de cupro / níquel e outras ligas metálicas passaram a ser usadas, transferindo o valor para algo extrínseco, ou seja, relacionado à quantia gravada em sua face, independentemente do metal do qual era fabricada.

No caso das notas (moeda de papel) teve sua origem na Idade Média, já que nesse tempo as pessoas passaram a ter o costume de guardar os seus valores com um ourives, negociante de ouro e prata. Esse, por sua vez, entregava como garantia um recibo. Com o passar do tempo, esses recibos começaram a ser usados para efectuar pagamentos, circulando de mão em mão e originando o dinheiro em papel.
Conforme a sociedade foi evoluindo, os governos passaram a controlar a emissão das moedas e notas (ou tambem conhecidas por cédulas), reduzindo os casos de falsificação e garantindo o poder de pagamento. Hoje, todos os países contam com seus respectivos Bancos Centrais, que são encarregados por emitir as notas e moedas.

Surgimento e ascensão do Bitcoin

O conceito de dinheiro virtual surgiu junto com o Bitcoin, que foi a primeira criptomoeda lançada. Como é lógico no início, muitas pessoas o viam com um pouco de desconfiança, mas hoje ele é sem duvida extremamente valioso.

Ele só pôde surgir graças aos avanços da tecnologia, que permitiram a criação de uma moeda que não existe fisicamente – ou seja, não é impressa em papel. Ainda que cartões de crédito e meios de pagamento online sejam considerados um tipo de dinheiro virtual, as criptomoedas são bem distintas dessa ideia.

Hoje em dia, é possível comprar praticamente qualquer coisa com Bitcoins: eletroeletrônicos, livros, roupas, alimentos etc.

O grande diferencial do Bitcoin está certamente  na sua tecnologia blockchain. Trata-se de uma rede criptografada que permite o registo de todas as transacções feitas com a moeda, a nível mundial. É a partir dela, também, que novas moedas são “criadas”, por meio de um processo comummente chamado “mineração”.

Para que uma nova transação seja cadastrada na blockchain, é necessário um jogo matemático de criptografia, garantindo a segurança dos usuários. Quem realiza esse cadastro são os mineradores – que precisam de um alto poder computacional para resolver as propostas matemáticas.
Ao realizar esse trabalho de criptografia, os mineradores são recompensados com Bitcoins – e assim se dará o processo até atingir o limite máximo da moeda, 21 milhões.
Essa forma de emissão da moeda é algo totalmente diferente e inovador, já que o Bitcoin independe de governos, bancos centrais e órgãos fiscais, sendo emitido e regulado pela própria comunidade, que também é quem decide os “próximos passos” da moeda, alterações na tecnologia e outras decisões importantes, sempre tomadas em conjunto e em total consenso.
É a tecnologia blockchain também que garante a segurança da moeda, tornando-se praticamente impossível copiar ou falsificar as transações.
Outra diferença do dinheiro virtual para o tradicional se dá pela cotação. Assim como o Dólar, o Euro e outra moeda fiduciária, o Bitcoin não é lastrado em ouro ou em commodities. Contudo, o seu valor também não está atrelado à confiança e à solidez do governo emissor.
A cotação desse tipo de dinheiro, consequentemente, se dá pela lei de oferta e procura. Como o Bitcoin é um bem escasso (tem um limite máximo de emissão), quanto mais Bitcoins são emitidos, mais valioso ele se torna.
Muita gente já me perguntou “será que o dinheiro virtual irá decidir o fim das moedas tradicionais?” Ainda não posso afirmar isso, afinal, as criptomoedas são recentes e têm muito para evoluir.
Contudo, certamente, o seu aparecimento marcou uma ruptura com o sistema financeiro tradicional, trazendo uma série de vantagens, como:
  • Utilizador tem o poder de decidir

    retirar o poder dos bancos centrais e dos sistemas financeiros tradicionais e dar maior poder ao utilizador, por se tratarem de moedas descentralizadas;

  • Comunidade

    a comunidade consegue decidir como e para onde essas moedas vão evoluir;

  • Sem bancos

    não há mais necessidade dos bancos e serviços financeiros tradicionais, já que a compra e venda se dá pelas exchanges e você poderá manter seu dinheiro nas carteiras virtuais;

  • Transacções seguras

    as transacções são mais seguras, graças à tecnologia blockchain, com redução das chances de fraudes, lavagem de dinheiro e outras operações ilegais;

  • Transacções anónimas

    apesar do registo das transacções na blockchain, todos os gastos e detalhes transaccionais são anónimos, já que as informações são criptografadas e não precisam de reconhecimento pelo nome do usuário;

  • Mais económicas

    a descentralização também significa mais economia para os utilizadores, com taxas menores do que as cobradas pelos bancos tradicionais;

  • Aceitação mundial

    é mais fácil transferir dinheiro virtual para qualquer país, já que as criptomoedas são aceitas no mundo todo e não há diferença de valor (como a necessidade da troca de câmbio).

Como você pode ver o dinheiro está em constante evolução, desde que as primeiras sociedades se estabeleceram. Das antigas moedas de ouro, chegamos até o dinheiro virtual, com o surgimento das criptomoedas a partir do nascimento do Bitcoin.

É claro que essas moedas são diferentes das tradicionais, não apenas porque existem no mundo virtual, mas também porque não são emitidas ou controladas por nenhum Banco Central, usam a tecnologia de Blockchain e criptografia para registar as transsações e os próprios utilizadores da rede decidem sobre o destino da moeda.
Hoje em dia, o Bitcoin é aceite em vários países e usado como pagamento corrente ou como forma de investimento. E, além dele, existem várias outras criptomoedas, que demonstram a força e a contínua evolução do dinheiro virtual.